quinta-feira, 1 de abril de 2010

Letras de Revista - Cávado

La, la, la, la …
La, la, la, la …

Sou o Cávado garboso
De encantos sem igual.
Sou o rio mais formoso,
Deste lindo,
Deste lindo Portugal.

Quando o mar prateado
Minhas águas vem beijar
Faz lembrar o namorado,
Faz lembrar o namorado
Quando à noiva vai falar.

Refrão
Por entre margens viçosas,
Correm águas cristalinas,
Onde vão beber airosas,
As formosas andorinhas.
No murmurar constante
As águas assim
Vão correndo.
Dizendo adeus às margens,
A estas paragens,
E assim vão correndo …

La, la, la, la …
La, la, la, la …

Sou belo e atraente,
Nas manhãs calmas de Agosto
Passeiam barcos com gente,
Desde a manhã,
Desde a manhã ao sol posto.

E as frescas lavadeiras,
Junto às margens vão lavar.
Sempre com muitas canseiras,
Sempre com muitas canseiras,
Nunca deixam de cantar.

Refrão

La, la, la, la …
La, la, la, la …

Letras de Revista - Os Curandeiros

Letra de Carlos Palma Rio

Se me chama algum freguês
P’ra Gandra ou p’ra Aguçadoura,
Levo o lancete e a turquez,
Alicate e uma tesoura.

E p´ra o que der e vier
Levo as minhas receitas,
Não vá o animal morrer
Das bexigas ou maleitas.

Um dia para ver um porco
Recebi uma chamada,
Cheguei lá verifiquei
Tuberculose cansada.

Outra vez nova consulta,
Era uma doença aguda
E para isso receitei
Uma sangria orelhuda.

O casco das vacas sai
Com um pouco de água forte,
O paralelo não sai
Porque o caso é de morte.

Panarizes nos coelhos
Também por mim são tratados,
Mas meto também bedelho
Nos patos desencontrados.

Se chamam p´ra ver um porco
Que tem febre ou tem catarro,
Receito, eu não me fico,
Um capacete de barro.

Trato de todos os males,
Uruzipela e papeira.
O ... dos animales
Com cházinhos de Oliveira

Com os remédios que eu receito
Ninguém fica descontente
Pois curo tudo a eito,
Só me falta curar gente.

Se chamam p´ra ver um porco
Que tem febre ou tem catarro
Receito eu não me fico
Um capacete de barro.

Há p’ra aí tais invejosos,
Não se acreditam pois não.
Pois saibam que são famosos
Os curandeiros de Fão.
Pois saibam que são famosos
Os curandeiros de Fão.

Letras de Revista - Fão linda terra minha

Refrão
Fão linda terra minha
Tu és a rainha que não tem rival.
Fão és tu a mais linda
Como eu ainda não vi em Portugal.
Fão tenho-te amizade
Tua caridade que a todos faz bem.
Fão ó terra de encanto
Eu quero-te tanto como à minha mãe.

Nas horas de incerteza
De saudade ou de alegria
Eu chego a gostar imenso
Da tua monotonia.

Das tuas ruas tão tortas
Da tua luz apagada.
Dos teus clubes sem gente
Dos gritos da garotada.

Refrão

Terra minha tão querida,
Estremecida onde nasci.
És linda tão cheia de encanto
E tens tantos tantos como eu nunca vi.

Teu rio de águas prateadas
Que nas madrugadas elas vão lavar.
As moças com tanta alegria
Até o dia as saudar.

Refrão

Letras de Revista - Vindimas

Refrão
Cantai raparigas,
Bailai.
Cantai as cantigas,
Bailai e cantai.
Cantai nesse ar que seduz
Com os cestos carregados.
Que os cachos doirados
São gotas,
São gotas de luz.

À luz de oiro
Das manhãs,
Pela vinha, sem demora,
Vão as moças mais louçãs.

Vindimando
Loiros cachos,
Pedurados na ramagem
Á luz de oiro das manhãs.

Pelos campos,
Todo o dia,
Do sol nasce ao sol posto
Há risos e alegria.

E ao luar que
Beija as eiras,
Vão cantando todo o dia
Coros de canções brejeiras.

Refrão

Pela relva
repisada
E orvalhada pela chuva
Canta em coro a garotada.

Apanhando
Bagos de uva,
Pela relva repisada
E orvalhada pela chuva.

Há alegrias
No seu rosto,
No ar um cheirinho a mosto.

Há mistura
de cantigas.
As vindimas são um gosto
Alegrai-vos raparigas.

Refrão

Letras de Revista - Coreto, Banco de Pau e Banco de Pedra

Refrão
Nas noites frias de Inverno,
Sem luz, sem lua, sem nada,
Somos os três desprezados
Nesta terra abandonada.
Pedimos ao criador
O tal luar de Janeiro,
Para assim podermos ver
As noites de Fevereiro.

(Coreto)
De grades mal acabadas,
Assim me fazem sofrer,
À espera do ferreiro
Que ainda está para nascer.
Pintado cor de açafrão,
Sou o albergue dos cães,
Até que o senhor de Fão
Me mande a tal de Gaifém.

Refrão

(Banco de Pau)
Te quero,
Me diziam os impostores.
Te juro,
Que hás-de ser muito bem bem tratado.
Mentira,
Sois todos engraxadores.
Nunca mais eu fui pintado,
Nunca mais eu fui pintado.

Refrão

(Banco de Pedra)
Neste estado de miséria,
Todo partido assim,
Nem os guris, que tristeza,
Se sentam em cima de mim.
E todos me fazem mal,
A mim o banco imortal
Dos velhos tempos passados.
Já nos dias de calor
Não se sentam, que horror,
No pobre banco cansado.

Refrão

Letras de Revista - Ninhos

É da mais fina plumagem,
Arrancada ao próprio peito
Que os passarinhos
De entre a sonhada folhagem
E com o mais divino jeito
Fazem seus ninhos.
E nem os berços reais
São tão fofos e dotados
Do que os ninhos dos pardais
Vagabundos sem telhado.

Refrão
Ninhos são exemplos de ternura.
Ninhos, ninhos, ninhos,
São visões de encantamento.
Ninhos, ninhos,
Divinos berços
São relicários de altura
Onde dormem passarinhos
Embalados pelo vento.
Ninhos, ninhos, ninhos, ninhos.

Entre as fontes sussurrantes
Pelas balseiras em flor,
Luz e harmonia,
Asas novas hesitantes
Ensaiam canções de amor
Saudando o dia.
E à luz de oiro das tardinhas
Do azul de Portugal,
Hão-de voar andorinhas
Criadas no meu beiral.

Refrão

Letras de Revista - Fangueirinha

Letra de Mário Belo - 1976

(Ele)
Minha linda fangueirinha,
D’olhos verdes cor do mar,
Tens a graça d’andorinha
Nas voltar do teu dançar.
Quem me dera moreninha,
Poder-te um dia pescar!

Refrão
Olha a fangueirinha, que vai a correr,
Com a gamelinha seu peixe vender,
Cheia de canseira lançar seu pregão:
-Olha ó peixe vivinho do mar de Fão!

(Ela)
Já me lançaste a rede,
Já me armaste a cilada
Mas fugi à tua sede,
Qu’inda não foi saciada
Mas os diabos te levem,
Já estou apaixonada

Refrão

(Ele)
Nas ondas do teu cabelo
Quem me dera navegar
Não me atrevo, tenho medo,
Tenho medo de encalhar.
Numas ondas tão bonitas,
Quem me dera naufragar!

Refrão

(Ela)
Mas que pescador és tu
Que não lanças o teu isco
Ou ainda estás muito cru,
Ou não pescas nada disto
Não tenhas medo das ondas,
O risco vale o petisco

Refrão

(Ele)
Ai minha Nossa Senhora,
O que eu oiço é p´ra corar
Mas estes peixões de agora,
É que nos tentam pescar
Eu vou já de barra fora
Noutras águas navegar

Refrão

(Ela)
Não me digas que tens medo
Dos peixes do nosso mar
Não avanças já o ferro
Fica já neste lugar
Vais ver que mais tarde ou cedo
Vais acabar por gostar

Refrão

(Ele)
Quem poderá resistir
A uma tão linda sereia
Já é tarde pra fujir
Sinto-me preso na areia
Serei o teu Dom Quixote
(Ela)
E eu tua Dulcineia

Refrão